A IMAGEM QUE SÓ SI OLHA

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"O Espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens" - Guy Debord, 1967.

A análise de Debord parte da experiência cotidiana do empobrecimento da vida vivida, de sua fragmentação em esferas cada vez mais separadas, bem como da perda de todo aspecto unitário na sociedade. O Espetáculo consiste na reconposição, no plano da imagem, dos aspectos separados. Tudo o que falta à vida se encontra nesse conjunto de representações independentes que é o espetáculo. Podem-se citar, como por exemplo as celebridades, atores ou políticos, que estão encarregados de representar esse conjunto de qualidades humanas e de alegria de viver que está ausente da vida efetiva de todos os outros indivíduos, aprisionados em papéis miseráveis. "A Separação é o alfa e o ômega do espetáculo" e, se estão separados uns dos outros, os indivíduos só encontram sua unidade no espetáculo, onde "as imagens que se afastaram de cada aspecto da vida fundem-se num curso comum". Mas os indivíduos encontran-se reunidos nele apenas "como separados", porque o espetáculo açambarca para si toda comunicação: esta se torna exclusivamente unilateral, o espetáculo sendo aquele que fala em quanto os "átomos sociais" escutam. O Espetáculo não é, pois, uma pura e simples adjunção ao mundo como poderia ser uma propagando difundida pelos meios de comunicação. A atividade social inteira é que é captada pelo espetáculo para seus próprios fins. Do urbanismo, aos partidos políticos de todas as tendências, da arte a ciência, da vida cotidiana às paixões e aos desejos humanos, em toda parte se encontra a substituição da realidade por sua imagem. E, neste processo, a imagem acaba por se tornar real, sendo causa de um comportamento real, e a realidade acaba por se tornar imagem.

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Intervenção-Obra-Experiência pontual e efêmera realizada no Encontro Internacional de Imagem Contemporânea.

Fortaleza, 2009.