Dança Muda em Deca Coordenadas

Performance

Concepção:
O espetáculo Dança Muda em Deca Coordenadas é fruto de uma pesquisa transmídia que pode ser lançada no palco ou em espaços fechados. As palavras-chave “homem”,“comunidade”, “cultura”, “linguagem”, “família”, “educação”, “regras”, “religião”, “controle” e “sociedade” vão organizar a dramaturgia do espetáculo, engendrando uma narratividade de amplas possibilidades sígnicas.
A encenação se inscreve no que tem sido chamado de teatro gestual ou teatro de dança, apresentando um vocabulário corporal elaborado, mesclado com recursos visuais de projeção de imagens, poesia e música eletrônica.

Proposta:
O espetáculo Dança Muda em Deca Coordenadas pretende fazer visível o mundo cultural, isto é, fazer visível um sistema de significações já estabelecido, de modo que, ao nascer, uma criança encontra um mundo de valores já dados: o jeito de sentar, andar, correr, brincar, o tom de voz nas conversas, as relações familiares, tudo, em fim, se acha codificado. Até na emoção que pareceria uma manifestação espontânea, o homem fica a mercê de regras que dirigem de certa forma a sua expressão. Podemos observar como a nossa sociedade, preocupada com a visão estereotipada da masculinidade, vê com complacência o choro feminino e o recrimina no homem. O próprio corpo humano dificilmente é apresentado como mera anatomia de tal forma que é quase impossível falar em “nu natural”: todo homem já se percebe envolto em panos e por tanto em interdições pelas quais é levado a ocultar sua nudez, em nome de valores (sexuais, amorosos, estéticos) que lhes são ensinados. E mesmo quando se desnuda, o faz também a partir de valores.
Como fica a subjetividade diante desta herança social? Há o risco do indivíduo perder sua liberdade e autenticidade (e será que algum dia existiram?). É o que Heidegger, filósofo alemão contemporâneo, chama de mundo do “Man”. Esta expressão alemã designa a impessoalidade: Veste-se, come-se, pensa-se, não como cada um gostaria de viver, mas como a maioria o faz.
Os sistemas de controle da sociedade aprisionam o indivíduo numa rede sem saída. Frente a essa condição, o espetáculo Dança Muda em Deca Coordenadas apresenta um corpo que dramatiza, caracturiza, enfatiza e transgride a realidade operativa refletindo o homem na sociedade.

Ficha técnica:
- Pesquisa, criação e encenação: David da Paz
- Ambientação Sonora: David da Paz e Lindenberg Munroe
- Poesia: Airton Lima
- Composição e programação visual: David da Paz, Fred Benevides e Naiana Cabral
- Manipulação dos recursos visuais: Fred Benevides e Naiana Cabral
- Figurino e objetos: David da Paz
- Produção: Escola de Bens Imateriais
- Realização: Coletivo Curto-Circuito

Documentação:

Performance realizada na Mostra de Música Experimental, Teatro SESC Emiliano Queiroz, Fortaleza, 2006.

A Situação é um Porre!

Performance

Descrição:
A performance A Situação é um Porre! Trata-se de uma proposição cênica inspirada no vídeo A Situação de Geraldo Anhaia Melo (São Paulo, 1978, 9min, Portapack – 1/2 polegada, open reel, Sony, formato original).
Na performance A Situação é um Porre! O performer David da Paz senta-se diante de uma mesa e bebe 1 litro de cachaça fazendo “brindes” à situação cultural, política, social e econômica brasileira.
A ação cênica é pontuada por argumentações teóricas pré-gravadas (Som Over) retiradas do texto A Democracia, que arapuca! de Anselm Jappe publicado na Revista Praga, nº 4, 1997. Essas argumentações teóricas são justapostas a gravações sonoras retiradas do filme A Sociedade do Espetáculo (1973) de Guy Debord
Na performance A Situação é um Porre! a câmera de vídeo funciona como um achado que permite a criação de colagens multimídia de uma elegante simplicidade. A idéia é conectar a câmera no projetor multimídia, permitindo a composição de imagens ao vivo, gravando e projetando a performance em tempo real e mesclando com palavras confeccionadas e projetadas em slides, retiradas do texto Idée generale de la revólution au XIX siècle de Proudhon.
Durante a performance, a câmera de vídeo funciona como uma extensão do corpo, isto é, as imagens de vídeo funcionam como artefatos-espelho para a persona da performance.

Ficha Técnica:
- Pesquisa, criação e encenação: David da Paz
- Composição de recursos visuais: David da Paz, Naiana Cabral e Hugo Pierot
- Manipulação de recursos visuais: Naiana Cabral e Hugo Pierot
- Adaptação de texto, gravação e mixagem: David da Paz
- Produção: Escola de Bens Imateriais

Documentação:

Performance realizada na Casa da Santa - Projeto Balbucio, Fortaleza, 2006.

Sujeitos e Sujeitados - Homem-Massa

Cartografias do Poder - Programa in Progress
Performance / Intervenção-Obra-Experiência em Áreas Exclusivas de Estetização do Poder.
Procedimentos de execução:
Esta performance trabalha com a idéia de apropriação signica espacial, um tipo de performance em paisagem urbana. A experiência é visual, sonora e imediata. Uma Performance que permanece como forma, cuja forma deriva do nome da performance - Sujeitos e Sujeitados -. Nesta Performance os Sujeitos representam configurações de obras representativas que se baseiam no princípio da estetização de poder. Estas configurações arquitetônicas são apropriadas e utilizadas como cenário-personagem onde os performers se instalam e desenvolvem uma representação imaginária, interpretando uma narração do corpo, e de seu comportamento símbolo de sua sujeição a esses equipamentos urbanos. O objetivo desta performance é evidenciar-provorar a cartografia dominante: instalados nela, os performers (Sujeitados) ganham uma existência na paisagem, agora não mais passível de ser ignorada, e a relação entre Sujeitos e Sujeitados não pode ser denegada. A força do resultado formal, tanto na escolha dos corpos quanto em sua disposição nos espaços escolhidos, é inseparável da problematização que a obra opera, seu efeito provocativo.
Documentação:

Vídeo-Mapa Subjetivo

Concerto de Afinação do Mundo

Performance

Concepção:
A Performance Concerto de Afinação do Mundo trata-se de uma proposição cênica inspirada na famosa obra silenciosa 4’33” do compositor norte-americano John Cage (1912).
A obra 4’33” é uma “peça em três movimentos durante os quais nenhum som é produzido intencionamente”; abandonando totalmente a intervenção do músico. O primeiro intérprete da obra, David Tudor, sentava-se ao piano durante quatro minutos e trinta e três segundos movendo silenciosamente os braços por três vezes; enquanto isso, os espectadores deviam compreender que tudo que ouviam era “música”; “minha peça favorita”, escreveu Cage, “é aquela que ouvimos o tempo todo se estivermos em silêncio”.
O nome da Performance também faz refêrencia ao livro de R. Murray Schafer A Afinação do Mundo, trabalho de exploração pioneira da paisagem sonora. Segundo R. Murray Schafer, a paisagem sonora é nosso ambiente sonoro, o sempre presente conjunto de sons, agradáveis e desagradáveis, fortes e fracos, ouvidos ou ignorados, com os quais vivemos.
Na Performance Concerto de Afinação do Mundo, o performer David da Paz dirige-se ao piano com um metrônomo na mão, dá-lhe corda, coloca-o sobre o piano e se retira para voltar dando corda a um relógio-despertador, que coloca também sobre o piano; em seguida, fecha o instrumento e finge dormir sobre ele; depois de alguns minutos o relógio toca, ele “desperta”, recolhe o despertador e o metrônomo e se retira.
A ênfase da Performance Concerto de Afinação do Mundo é simplesmente estrutural.

Ficha Técnica:
- Pesquisa, criação e encenação: David da Paz
- Composição de recursos visuais: David da Paz e Hugo Pierot
- Manipulação de recursos visuais: Hugo Pierot
- Produção: N.U.M.E. – Núcleo de Música e Experimentação
- Realização: Coletivo Curto-Cicuito
- Co-Realização: Escola de Bens Imateriais

Documentação:

Performance realizada no lançamento do Núcleo de Música e Experimentação (NUME), Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, 2007.

Entremear

Happening

entremear. [De entre- + meio + -ar.] V. t. d. 1. Pôr de permeio. T. d. e i. 2. Meter de permeio; misturar, entressachar; intermeter, intermediar: entremear trigo com cevada; “uma certa maneira de exprimir as idéias, entremeando calemburgos com palavrões sonoros” (inglês de sousa, o Missionário, p 80). 3. Intercalar, interpor. Int e p. 4. Estar ou meter-se de permeio; intermediar. P. 5. V. entremear(4). [Conjug.: v. frear]

Desestetizada, desdefinida, desmaterializada, a obra sumiu, mas sobrou o artista. O Happening (acontecimento) é a intervenção do artista no cotidiano, não através da obra, mas fazendo da intervenção uma obra. É a fusão arte-vida, pois utiliza a rua, a galeria, pessoas e objetos que estão na realidade para desencadear um acontecimento criativo. É uma provocação ao público, mas amplia sua percepção do mundo onde vive.
Propõe-se um encontro aberto aos interessados na dança-improviso em diálogo direto com o espaço público. Uma prospecção em ambientes urbanos específicos.
O não-lugar é diametralmente oposto ao espaço personalizado em geral. É representado aqui por espaços de passagem e rápida circulação, espaços de fluxo trajetorial de pedestres como escadas, corredores, túneis, becos, etc.
Desenvolver uma experiência sensorial, em que os participantes lançam-se numa espécie de “jogo de cabra-cega” e aprendem a ver com os ouvidos, o nariz e o tato. O ambiente cotidiano é revivido, recapitado durante a experiência sinestésica, na qual o participante é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da experiência.
Propõe-se aos participantes que seus gestos sejam extremamente lentos, quase estáticos, sucessões de quadros vivos, dançar entre as pessoas, próximo a elas, provocar, dialogar e aprender a conviver com o impasse arte-vida, quebrar com a
temporalidade do espaço cotidiano.
Documentação:



Happening realizado no Projeto Interferência, Alpendre: Casa de arte, pesquiza e produção, Fortaleza, 2006.